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:: ‘Zeca Martins’

Eleições 2020: ‘A pandemia afetou fortemente a atividade de pesquisa eleitoral’

Importante instrumento para compreensão da conjuntura política e das expectativas do eleitorado, a pesquisa eleitoral deve ganhar importância ímpar na eleição de 2020. A necessidade de distanciamento social e a impossibilidade de aglomerações como formas para evitar o contágio do novo coronavírus impactam candidaturas, deixando os candidatos a prefeito e vereadores em um cenário de incerteza em relação a melhor forma de condução de sua campanha à vitoria. Para entender os caminhos ao sucesso eleitoral, o A TARDE entrevistou o professor universitário, estatístico e diretor da Potencial Pesquisa, Zeca Martins. Ele é filiado a Associação de Consultores Políticos (ABCOP), especialista em Marketing Eleitoral e em Pesquisa de Opinião e de Mercado, ele possui pós-graduação em Data Science e Analytics.

Como a pandemia do novo coronavírus vai afetar a realização de pesquisas eleitorais e como os institutos estão contornando essa dificuldade para manter esse importante termômetro da democracia?

De fato, as pesquisas eleitorais são muito importantes para colaborar com os cidadãos a se manterem informados durante as eleições. O que exige ainda mais responsabilidade, compromisso ético e moral das empresas de pesquisas, dos jornalistas e veículos de comunicação na realização das pesquisas e divulgação dos resultados.

A pandemia afetou fortemente a atividade de pesquisa de mercado e opinião, especialmente na utilização das técnicas onde o contato pessoal é relevante, que ficou muito restrito por conta das limitações impostas pelo isolamento social. Tanto os profissionais que trabalham fazendo as entrevistas, quanto os cidadãos; Potenciais entrevistados devem ser preservados e é prudente não os expor aos riscos inerentes da pandemia.

Os institutos que estavam estruturados antes da pandemia, caso da Potencial, conseguiram uma rápida adaptação ao momento, principalmente com a intensificação da utilização da técnica de entrevistas telefônicas. A tecnologia também tem ajudado bastante, não só para o desenvolvimento de novos caminhos para alcançar o público-alvo, mas para adaptação de técnicas tradicionais, sejam elas do método quantitativo ou qualitativo.

Sem a pesquisa presencial, quais alternativas que se apresentam e como atestar sua efetividade, já que há sempre críticas a pesquisas que não são realizadas no corpo a corpo?

Importante ressaltar que toda e qualquer técnica de pesquisa de mercado e opinião tem suas vantagens, benefícios e suas limitações. Então, a interpretação dos resultados sempre deve levar em consideração estes aspectos, independente do método ou da técnica. Com a intensificação de pesquisas onde as entrevistas são realizadas por telefone, surgiram também uma enxurrada de críticas, que, em minha opinião, em alguns casos chegam a ser exageradas.

A pesquisa com entrevistas por telefone é uma realidade já algum tempo. É conhecido e notório do mercado que grandes empresas nacionais e internacionais também utilizam a referida técnica para coleta de dados. Hoje em dia, não só pela tecnologia disponível e acessível, mas também pelos impactos que a pandemia do novo coronavírus causou no mundo.

Sobre as pesquisas telefônicas, é importante fazer algumas considerações. Segundo o IBGE, hoje, 98% dos domicílios brasileiros têm pelo menos uma pessoa com linha de telefone celular, ou seja, quase totalidade das residências é alcançada. Também não conseguimos, através de pesquisas presenciais, alcançar todos os domicílios, seja por questões operacionais ou até mesmo estruturais das cidades. E o telefone é uma alternativa para superar este obstáculo da pesquisa presencial, permitindo abranger um número muito maior de bairros e localidades.

Muitos tendem a aceitar a pesquisa por telefone para fins comerciais e rejeitar ou desconfiar quando a abordagem é eleitoral. Quais os motivos para essa desconfiança e ela é, de fato, justificável?

Em relação às pesquisas de intenção de votos, a abordagem por telefone recebe críticas pela impossibilidade do entrevistador apresentar aos entrevistados um cartão circular de resposta com a lista de candidatos para garantir a aleatoriedade e eliminar possíveis vieses. Nas pesquisas por telefone, o entrevistador é obrigado a ler os nomes que serão investigados. Para os críticos desse método, a ordem da leitura pode contaminar o resultado. No entanto, devem desconhecer a tecnologia dos sistemas de coleta de dados que são utilizados; Por exemplo, o sistema da Potencial faz a apresentação dos nomes de forma randômica, toda vez que o entrevistador está fazendo uma entrevista os candidatos aparecem em ordem totalmente aleatória para a leitura do entrevistado, eliminando qualquer viés de ordem com mais eficiência que a apresentação do cartão circular.

Também existe crítica quanto à possibilidade do entrevistado se cansar, ficar aborrecido com o entrevistador, desistir no meio ou escolher qualquer resposta só para encurtar a conversa. Essa possibilidade é muito maior em pesquisas presenciais, onde os instrumentos de coleta de dados, o questionário, tendem a ter um número muito elevado de questões o que causa, consequentemente, uma duração mais longa da entrevista. Os questionários que são aplicados em pesquisas telefônicas devem ser muito objetivos, com 8 a 10 perguntas no máximo, minimizando esta possibilidade.

Outra questão da pesquisa por telefone e que, aí sim, pode vir a se tornar uma forte limitação,quando a pesquisa lembra um telemarketing, onde a entrevista é feita por uma voz mecânica (URA), o que é muito rejeitado pelos brasileiros, podendo contaminar o resultado final da apuração. Nas pesquisas realizadas pela Potencial, as entrevistas são feitas por uma equipe de entrevistadores devidamentes treinados para este tipo específico de abordagem; A coleta de dados é registrada em um sistema de pesquisa específico para esta modalidade. Todas as nossas entrevistas são fiscalizadas in loco por uma equipe de supervisão, além de verificadas e criticadas em 100%, através de monitoramento on-line via sistema e, aproximadamente, 30% das entrevistas são auditadas.

Toda pesquisa por telefone é legítima, correta e representativa desde que a ponderação amostral representa a população alvo em estudo, e que também é condição sine qua non para estudos presenciais. Em relação a este aspecto, o sistema utilizado gera automaticamente e aleatoriamente os números de telefones para ligação com base na ponderação necessária, o que é devidamente programada no sistema com os parâmetros e variáveis específicas para o estudo.

Muito se fala do erro amostral, da margem amostral, no que diz respeito à precisão estatística da estimativa obtida com aquela amostra, e pouco se preocupam com os erros não amostrais, que de fato são os que mais trazem vieses e incorreções para os resultados. Neste aspecto, o controle de erros não amostrais é muito mais fácil de conduzir em pesquisas telefônicas.

Você tem lembrança de uma pesquisa por telefone com um resultado surpreendente?

Nas eleições de 2006 para governador da Bahia. Eu fui o responsável por desenvolver o único estudo cujo resultado apontou o candidato Jaques Wagner vencendo no 1º. turno. A técnica utilizada para realização das entrevistas foi a telefônica, o que nos permitiu alcançar mais de 160 municípios; Presencialmente, é praticamente inviável isso, não só pelo custo envolvido, mas também pelo tamanho do estado da Bahia e o tempo necessário para alcançar um quantidade enorme de localidades.

De lá para cá, a tecnologia permitiu e o enriquecimento de dados evoluiu muito nos últimos anos. Empresas com expertise nessa área disponibilizam informações cadastrais atualizadíssimas, e não estou falando apenas de nome e número de telefone, são muitas outras informações sócio-demográficas como sexo, idade, estado civil, grau de instrução, renda familiar, endereço residencial, do trabalho, profissão, formação etc.

Indo além, as empresas de maior credibilidade no mercado já se anteciparam e seguem as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) pessoais. Em suas pesquisas, a depender do tamanho da população a ser investigada, a Potencial tem utilizado cadastros com mais de 50 mil registros.

Qual é a importância de se realizar pesquisa eleitoral, para os candidatos a vereador e prefeito, principalmente em um contexto de pandemia que exige distanciamento social e proíbe aglomerações?

Em todas as eleições, as pesquisas estão presentes para subsidiar os candidatos com informações sobre os eleitores, avaliar o comportamento da população e a preferência de votos do eleitorado. Neste contexto de quarentena e pandemia vão ser mais importantes ainda, visto que as maneiras de se realizar a pré-campanhas e a campanhas foram afetadas e estão fortemente comprometidas.

A pesquisa é uma ferramenta muito útil para a gestão das empresas e não é diferente para a condução de uma campanha eleitoral. Não é simplesmente ter um grande volume de informações nas mãos, é necessário que se pense estrategicamente, planeje e organize de acordo com as necessidades do candidato/candidatura, para que ele e sua equipe possam focar as atenções em informações relevantes para tomar as decisões mais assertivas.

As pesquisas permitem a obtenção de muitas informações, tanto do perfil dos seus eleitores e de seus adversários na corrida eleitoral, quanto do impacto que suas ações e campanhas têm causado. É um trabalho fundamental! Sem informações precisas, sólidas, fica ainda mais difícil ganhar uma eleição, aumentando a chance de se cometer erros tomando decisões através do “achismo” ou ouvindo os “sabe tudo de plantão”, que rondam os candidatos nestes momentos.

Em um contexto de migração em massa de pessoas para o ambiente digital, através de redes sociais e aplicativos de mensageria eletrônica, a pesquisa realizada via internet ganha uma importância maior?

Sem dúvida as redes sociais e os aplicativos de mensagens eletrônicas são um caminho cada vez mais importante para obtenção de informações, mas temos que ter muitos cuidados e entender o que está sendo realizado através da internet e compreender as limitações impostas pelo ambiente digital para que se possa fazer o uso adequado das informações obtidas. Certamente, ainda não é um caminho adequado para aferir a intenção de voto; A opção por um estudo com este objetivo, por este caminho, poderia ficar comprometido.

O ambiente digital nos proporciona fazer pesquisas através de técnicas não tradicionais. Podemos através dos meios sociais digitais fazer análises exploratórias que indiquem tendências ou comportamentos, mas que não são conclusivas. É possível avaliar qualitativamente a presença dos pré-candidatos e candidatos nas redes sociais, suas popularidades, percepções sobre suas imagens, dentre outras informações; Chamamos de Social Listening. Com as informações obtidas torna-se possível desenvolver ações estratégicas de comunicação nos canais sociais. Esta técnica permite ainda a avaliação da polarização sobre temas diversos, perfil de seguidores engajados, análise da estratégia da concorrência, gestão de eventuais crises que prejudiquem a imagem, análise semântica, dentre outras. O diagnóstico é baseado em um volume de milhares de menções e citações.

Em relação às técnicas tradicionais de pesquisa, o que vem se fazendo, até mesmo antes da pandemia, são adaptações utilizando a tecnologia, a internet. No campo da metodologia qualitativa, grupos focais e entrevistas semi-estruturadas estão sendo operacionalizadas com os recursos de ambientes virtuais, que, apesar das limitações, tem trazido resultados satisfatórios. Em relação às técnicas de pesquisa quantitativa, tem se intensificado as pesquisas por autopreenchimento, através de questionários enviados por e-mail, SMS, Whatsapp e até por leitura de QR Code.

Muitos especialistas apontam que com o distanciamento social e proibição de aglomerações, a pesquisa de campo, presencial, se torna difícil, complicada e deve perder força nesta eleição. Concorda?

Existe ainda a preocupação que, com a reabertura do comércio, fim da quarentena, e consequente diminuição do isolamento social, os índices de contaminação pelo coronavírus voltem a aumentar. Caso isso não ocorra, o que esperamos, e com o adiamento das eleições para novembro, todos nós vamos ficar um pouco mais confiantes e seguros, podendo fazer com que as pesquisas presenciais voltem a serem realizadas mesmo que de forma gradual.

Em relação às técnicas não presenciais, especialmente por entrevistas telefônicas, tenho certeza que aqueles que contrataram com empresas responsáveis, sérias, vão obter resultados muito positivos, precisos e que vão continuar optando por essa técnica em estudos futuros; Que ganhará ainda mais força e credibilidade quando a LGPD começar a vigorar.











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