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:: ‘Mesmo com vacina’

Saúde: Mesmo com vacina, medidas sanitárias de segurança têm que continuar

Por: Veja

Portugal entrou hoje na segunda fase do desconfinamento – o que significa que nesta semana reabrem museus, monumentos, palácios e galerias de arte do país, além de lojas de bens não essenciais (como roupa ou calçado). Na Inglaterra, a previsão é de que cabeleireiros, lojas não essenciais e bares e restaurantes reabram no próximo dia 12. Ambos realizaram lockdowns e viram o efeito dos recuos: no primeiro caso, o confinamento fez a média móvel de sete dias de casos diários cair dos 12.478 em 26 de janeiro para 418 no último dia 4, e os óbitos (média móvel) caírem de 290 em 1º de fevereiro para 6 também até o último dia 4. No segundo, uma em cada 370 pessoas testou positivo para Covid-19 na semana até 27 de março, contra uma para 340 pessoas na semana anterior.

No dois países, apesar dos primeiros passos na reabertura, seguem em vigor as medidas sanitárias de proteção: distanciamento social, higienização das mãos e dos espaços públicos e não-aglomeração. Talvez agora, no momento em que a reabertura se inicia, tais medidas talvez sejam até mais necessárias que antes.

Isso porque nós, seres humanos, temos a tendência a nos expormos mais ao risco à medida em que aumenta a sensação de que estamos em segurança. Esse fenômeno foi batizado de Efeito Peltzman, em homenagem ao professor de Economia da Universidade de Chicago Sam Peltzman. A vacinação cria a sensação de que só de saber que o imunizante está disponível, ou a caminho, já se pode de algum modo começar a relaxar nos cuidados para prevenir o contágio.

Essa sensação de segurança, é claro, não encontra apoio nos fatos. A vacina só começa a oferecer imunidade algumas semanas depois de ministrada a segunda dose. Além disso, embora a imunização torne menores os riscos de desenvolvimento de um quadro grave ou óbito no caso de uma reinfecção, não impede que esta aconteça – e reinfectada, a pessoa pode continuar a transmitir. Isso tudo sem considerar as variantes, para as quais a eficácia da vacina é incerta.

Relatos na imprensa internacional dão conta de pessoas que, ao chegarem a centros de vacinação, colocam a máscara sob o queixo e ignoram o distanciamento. Mesmo entre profissionais da saúde se observou menos cuidados no uso de equipamentos de segurança – o que tem efeito potencialmente desastroso, dado o risco de infecção a que tais pessoas ficam expostas.

No Brasil, onde a vacinação caminha em ritmo angustiantemente lento, mesmo à luz dos números de óbitos e infecções, mal se consegue fazer com que o uso de máscara se torne a regra.

Por falar em números, sua leitura enviesada é outro fator que pode proporcionar essa falsa sensação de segurança. O que se faz para tentar dizer que a situação no Brasil não é tão negativa é ora considerar os números absolutos, ora considerá-los em proporção. Mas não parece que seja possível fazer uma leitura menos negativa dos números em nosso país.

Segundo dados do site Our World in Data (da Universidade de Oxford), em 31 de março ocorreram 11.769 óbitos por Covid em todos os países do mundo – uma população de quase 7,8 bilhões. No Brasil – com 212 milhões de habitantes (2,7% da população mundial), no mesmo dia, houve 3.869 óbitos por covid. Ou seja: de cada cem pessoas no mundo, três são brasileiras; e de cada cem casos de morte por Covid-19, 33 ocorreram no Brasil. Não há leitura positiva possível num quadro assim.

No Brasil, a vacinação ocorre a conta-gotas; não houve restrições de deslocamento sequer parecidas com o observado em Portugal, Inglaterra e outros países; e o avanço da Covid-19 segue descontrolado, com previsões de 500 mil óbitos para maio. Na prática, nem chegamos ainda ao estágio de verificarmos o efeito Peltzman. Mas é um fenômeno real, e serve para lembrarmos que, enquanto a pandemia estiver ativa, qualquer sensação de segurança no futuro próximo será ilusória. Vacinado ou não, distanciamento social e higienização das mãos continuam a ser extremamente importantes.  Talvez ainda mais.











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