É consenso que o racismo no Brasil é tipo exportação. Com passado escravocrata, apesar dos avanços em contrário, nossa sociedade ainda naturaliza a discriminação racial perpetrada contra os negros. Outrora sutis, hoje, tutelados por uma conjuntura político-ideológica favorável, os racistas sentem-se encorajados em sair do armário. Assim, a verborragia racista fez mais uma vítima! Nos referimos a estudante Thaís Carvalho (30).

Prestes a se tornar Bacharel em Enfermagem pela Faculdade de Ilhéus, a estudante se voluntariou para participar da campanha de vacinação contra a Covid-19 promovida pela Secretaria de Saúde de Ilhéus-Bahia. Todavia, a despeito da essencialidade do seu gesto, Thaís Carvalho foi impedida de utilizar sua perícia técnica por ser negra. No dia 17 de maio do corrente ano, quando exercia sua função da vacinadora voluntária, a estudante foi impedida de vacinar um idoso, que justificou sua negativa pelo o fato da mesma ser negra.

Eis uma postura digna de condenação, mas que reflete a forma pela qual o racismo estrutura nossas relações sociais. Nesse sentido, são elucidativas as palavras do geografo Milton Santos, ao considerar que “ser negro no Brasil é, com frequência, ser objeto de um olhar enviesado. A chamada boa sociedade parece considerar que há um lugar predeterminado, lá embaixo, para os negros”.

Diante do exposto, a União de Negros pela Igualdade, seção Ilhéus (UNEGRO-ILHÉUS), vem através desta prestar irrestrita solidariedade a Thaís Carvalho, ao tempo que refuta todo e qualquer comportamento racista. Somos uma maioria numérica, mas continuaremos lutando para ver expressa essa maioria nos espaços de poder e no exercício das profissões com reconhecido prestígio social. Lugar de preto é onde o preto quiser. Axé!

UNEGRO-ILHÉUS