Créditos: Catraca livre

Em entrevista ao “Fantástico” deste domingo, 24, Sergio Moro relatou que a agenda anticorrupção não foi apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e que a pasta da Justiça e Segurança Pública foi continuamente esvaziada. Para Moro, essa é uma verdade inconveniente para os apoiadores do governo.

Moro ainda criticou a postura negacionista sobre a pandemia do novo coronavírus. Segundo ele ainda, não é o caso de pessoas saírem armadas para transgredir medidas sanitárias e que houve uma subida de tom gradativa nos últimos meses.

Sobre as falas de Abraham Weintraub e de Ricardo Salles, Moro disse que se calou, mas estava incomodado e que tinha limitações por ser parte do governo naquele momento.

Saída de Moro
Durante a entrevista coletiva de seu pedido de demissão, Sergio Moro disse que Jair Bolsonaro queria trocar o diretor-geral da Polícia Federal para, com um novo nome, conseguir informações sobre inquéritos em andamento.

No “Jornal Nacional” do mesmo dia, Moro mostrou troca de mensagens entre ele e Bolsonaro, onde o presidente envia o link de uma reportagem do site “O Antagonista” sobre a investigação de 10 a 12 deputados bolsonaristas, citando que esse seria “mais um motivo para a troca”, se referindo à mudança na PF.

Moro ainda revelou uma troca de mensagens com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), apoiadora de Bolsonaro, na qual ela pede ao ex-juiz que aceitasse o nome de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal em troca de uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Derivada dessas alegações, o vídeo da reunião de 22 de abril veio a público — originando uma nova crise no governo federal.